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Gigantes da tecnologia podem desordenar sistema bancário, diz conselho

Os gigantes da tecnologia estão avançando inexoravelmente para os negócios financeiros, e podem desordenar rapidamente o setor bancário, de acordo com o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês). Em seu mais detalhado relatório sobre o impacto do que designa como "Big Tech", a organização afirmou que o desordenamento poderia introduzir novos riscos no sistema ao compelir os bancos a relaxar seus padrões de empréstimo e assumir riscos maiores. O FSB —formado pelos bancos centrais e autoridades regulatórias das finanças dos países do G20— disse que companhias como o Alibaba Group, Apple, Amazon e Tencent Holdings poderiam explorar a imensa quantidade de dados de que dispõem e suas grandes bases de clientes para expandir rapidamente suas operações de pagamentos e gestão de patrimônio. A ameaça competitiva aos bancos é agravada por essas empresas, muito bem capitalizadas, já estarem na vanguarda de tecnologias —inteligência artificial e aprendizado por máquina— que as companhias financeiras estão só começando a desenvolver. Como indicador da escala do desafio, na quinta-feira (14) a Ant Financial, gigante chinesa dos serviços financeiros controlada pelo bilionário Jack Ma, anunciou a aquisição da WorldFirst, uma empresa de pagamentos sediada em Londres, em sua primeira grande incursão ao Reino Unido. Nascida de um sistema de pagamentos online criado para a plataforma de comércio eletrônico do Alibaba, a Ant Financial se tornou um gigante financeiro quase sem paralelo: seu valor de mercado, estimado em US$ 150 bilhões (R$ 566 bilhões), apequena o de bancos como o Goldman Sachs e o Morgan Stanley. A empresa, inicialmente conhecida como Alipay, e suas afiliadas têm um bilhão de usuários em todo planeta, de acordo com os números de fevereiro. Embora a concorrência intensificada possa tornar os serviços financeiros mais eficientes para os consumidores, o FSB instou as autoridades regulatórias a manterem a vigilância quanto aos riscos que isso representa para instituições tradicionais de empréstimos, administradores de ativos e seguradoras, e disse que continuaria a avaliar as vulnerabilidades do sistema financeiro. O relatório reflete as posições dos grandes lobbies financeiros, que apelaram às autoridades regulatórias, especialmente as de Bruxelas, para que garantam que as empresas de tecnologia enfrentem as mesmas restrições aplicadas às companhias financeiras. Um grupo de executivos liderado por Paul Achleitner, presidente do conselho do Deutsche Bank, e Denis Duverne, presidente do conselho da seguradora Axa, afirmou no ano passado que bancos tradicionais estão em desvantagem porque a regulamentação os força a fornecer dados sobre seus clientes às empresas de tecnologia.

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